Bilhete único requentado

A atual forma escolhida pela prefeitura para garantir o bilhete único nada mais é do que a repetição da fórmula aplicada por João Henrique, na qual divide a cidade em regiões sem um estudo realmente profundo e embasado sobre os fluxos e uma pesquisa origem-destino (DECRETO Nº 24.088 / 2013). Falhou a prefeitura. A última pesquisa O-D data da década de 90 e a mais recente, realizada e divulgada pelo governo do estado, somente publicou os dados de forma agregada, omitindo os microdados.

Num momento em que tanto se fala sobre Lei de Acesso a Informação e em que os meios de Tecnologia da Informação permitem todas as facilidades para difusão de dados em diversos formatos, o caminho mais natural seria a publicação da pesquisa na íntegra. Falhou o governo do estado, que após muitas críticas, decidiu publicar parte destes dados. Em tempos de falhas, não vemos por exemplo um bilhete único integrando o trem do subúrbio ( responsabilidade do estado) e os ônibus da RMS com os ônibus municipais ( responsabilidade do(s) município(s)). Dentro da divisão geográfica equivocada e aplicada pela prefeitura para definir as 4 regiões da cidade que determinam a integração tarifária, torna-se fácil mostrar como a mesma não consegue promover de fato mais acesso à cidade, principalmente numa Salvador em que parcela significativa da população não possui condições financeiras de pagar mais que duas passagens por dia. Assim, vamos aos exemplos reais de falhas no modelo, considerando o transporte porta a porta. Se uma pessoa hoje deseja sair do Rio Vermelho para chegar ao Barbalho, ambas as localidades situadas na região D da divisão geográfica da prefeitura, este cidadão precisa de dois ônibus, pois não existe uma linha que realize o transporte porta a porta para esta demanda. Este é um dos diversos exemplos que podem ser citados para evidenciar o quão equivocada está a prefeitura. Outro exemplo seria um deslocamento saindo da Caixa D´Água com destino ao Engenho Velho de Brotas, ambos ainda na zona D da prefeitura. Não existem linhas interligando ambos os bairros, provando mais uma vez a falha no pensamento da prefeitura sobre a forma de organizar o bilhete único em Salvador. Em tempos de acumulação de sucessivas falhas, a prefeitura e o governo do estado deveriam assumir parte do ônus que vem pesando sobre a população ano após ano e garantir neste momento uma compensação, permitindo o bilhete único irrestrito num período de 3 horas para integração entre viagens de ônibus municipais e metropolitanos, assim como ônibus-trem.

DivisaoBilheteUnico(Divisão geográfica estabelecida por João Henrique
e repetida pela atual administração)

 

Aguardar até a próxima licitação de transporte público para garantir tal direito é no mínimo falta de visão / desejo político para este avanço social, tanto da prefeitura como dos empresários de transporte. A integração tarifária poderia tornar, neste momento inicial, do ponto de vista financeiro, o sistema de transporte muito mais atraente, fazendo com que mais pessoas utilizassem os ônibus e trens para se locomover, podendo inclusive diminuir o número de carros nas ruas, mas principalmente, por permitir que toda a população passasse a um outro nível de direito e acesso à cidade. Isso aumentaria a eficiência do sistema e seria interessante para todos. O cidadão levaria menos tempo esperando nos pontos ( como bem observou a cantora Joss Stone em seu twitter), pois poderia integrar duas ou três viagens até o destino final. Para a vida na cidade, para o bem estar das pessoas, este seria um grande avanço. Para tal, qualquer analista de sistemas concordaria que um pequeno ajuste de uma semana nos sistemas de informação que funcionam dentro das caixinhas que verificam o SmartCard permitiria a integração de toda a rede de ônibus municipais: linhas normais, amarelinhos e linhas complementares. Falta agora o prefeito demandar isso ao pessoal da SETPS. E o governador se juntar a ele nesta ação. É fácil, rápido e indolor.

Dentro deste contexto, uma minuta da licitação do transporte público em Salvador já adianta duas características. A primeira define que 3 consórcios irão dividir as linhas da cidade. Talvez a divisão seja esta: um grupo formado pelas empresas oriundas da antiga Vibemsa, um segundo grupo a ser formado pelas empresas oriundas da Joevanza e por fim as empresas restantes ( é só um palpite – aguardemos ). A segunda configuração da licitação repete, praticamente, a mesma divisão em 4 zonas geográficas utilizadas hoje , transformando-as em 3, e ignora os fluxos e a topografia de Salvador. Por quê então 3 zonas e 3 consórcios ? Seria um número cabalístico? Não houve qualquer estudo prévio que fundamentasse tal divisão. Neste sentido, entender que a cidade é formada por vales e cumeadas significaria a implantação de diversos ascensores em vários pontos da cidade (Brotas, Eng. Velho de Brotas, Cosme de Farias, Pernambués, Federação e Eng. Velho, São Caetano, Cidade Nova, Caixa D´Água, Faz. Garcia, entre tantos ) interligados com os modais que circulam nos vales, fortalecendo os fluxos verticais, otimizando as locomoções e permitindo que a população utilize seu precioso tempo em outros temas, como educação e saúde.

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2 respostas em “Bilhete único requentado

  1. Vocês citam a letra D, mas pior é a letra B, pois quem mora no Miolo que se fudeu literalmente, pois a maioria das linhas dessa cidade é da região B, quem mora na D é fácil de integrar, na C idem, na A tem umas dificuldades, mas dá pra integrar também, mas na B não, ou você se fode, ou você se fode…

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