Professor Juan Pedro Moreno Delgado fala sobre Mobilidade Urbana

Professor Juan Pedro Moreno Delgado fala sobre Mobilidade Urbana

http://redeprofissionaissolidarios.objectis.net/salvador/texos/mobilidade-urbana

“É difícil não perceber o forte poder indutor do setor privado, particularmente imobiliário, neste processo de elaboração de novos projetos (apesar de não existir qualquer iniciativa relativa à manutenção ou conserto das infra-estruturas viárias existentes). Somos testemunhas de uma grande avalanche de projetos de infra-estrutura, todos aparentemente desarticulados, o qual reforça o clima de desconfiança, gerado pela aprovação precipitada do PDDU da cidade. Observa-se um notório afastamento da comunidade no processo decisório, a pergunta crucial é: poderemos construir redes integradas de transporte, nesse contexto?

Redes Integradas de Transporte são o resultado de Políticas integradas em diversas escalas. Devemos discutir os projetos? … ou os princípios por traz dos projetos (os Planos?). Todo projeto deve responder a um processo de planejamento, aqui estamos fazendo o inverso. Esta-se propondo projetos, sem ter um plano urbano que justifique determinado projeto, o plano foi relegado e com ele a participação cidadã. Ultimamente muito se pergunta se o projeto a é melhor do que o projeto b, mas isso não agrega nada e desvia a atenção das questões fundamentais. Os aspectos físicos dos projetos são divulgados, porem, ninguém discute os aspectos operacionais, espaciais ou urbanísticos que deverá ter a futura rede integrada, imprescindível para que tudo funcione.

 

Mapa 4: Território do Automóvel (Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano da RMS, PNUD.)

Como será a integração física, operacional e tarifaria do metrô com os outros modos de transporte?, os ciclistas e usuários de automóvel poderão acessar o sistema e continuar a sua viagem em direção ao centro da cidade ?, haverá rotas para pedestres e ciclistas, em direção ao BRT ou metrô?, serão racionalizadas as linhas de transporte coletivo por ônibus visando alimentar o metrô?, como será o sistema de concessões?, como participará a população na vigilância da qualidade do serviço?, o uso do automóvel será racionalizado, na cidade?, quais serão as intervenções em termos de habitação e uso do solo, dirigidas a criar demanda para o transporte de massa?, ou seja, as obras serão inauguradas em poucos meses, não importa se são do BRT ou metrô, entretanto, as perguntas centrais nem foram formuladas.

A lógica do projeto só oferece paradoxos. O Iguatemi é o centro da região metropolitana, é o centro econômico da Bahia, etc. Descentralizar a cidade, para resolver a mobilidade em Salvador parece fundamental. É o principio sustentável, entretanto, está acontecendo o contrário. Existe o projeto de construir (?) um subcentro na região do Retiro a poucos metros desta região problemática para a mobilidade da cidade, ou seja, estender espacialmente o centro de Tancredo Neves – Iguatemi, para o Retiro. Não se necessita de maiores estudos para prever que isto será contraproducente e insustentável.”

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