463 anos e muitos desafios pela frente

Texto de Débora Didonê

Salvador, cidade que resiste ferozmente ao abandono; que se mantém em pé, mesmo cambaleante, e faz brotar das rachaduras de sua urbanidade o laranja dourado de um fim de tarde. Dolorida, doída, desbotada. Vitimada por campos minados de interesses egoístas, bombardeada pela indiferença de um povo.

Salvador, cidade de todos os santos, banhada pela Baía, e pelo asfalto e pelas “luzes cênicas” que maquiam seus hematomas. Seus olhos roxos e inchados assistem, enquanto derrama lágrimas e encostas, o despertar de um cadinho de gente que lhe quer bem.

Sua recôndita beleza e natureza exuberante se confundem com prós e contras, com gentes tantas, um misto de sim e não, de amo-odeio, de querer bem sem nem ter… Timidamente tocada e acarinhada por esse cadinho de quem nela acredita, Salvador vê acender uma chama que talvez rebrilhe além da praça, das avenidas, além de dentro de cada um que está disposto a suar, labutar, a quebrar com picaretas os muros apáticos que a rodeiam, a contagiar nauseabundos asmáticos com o frescor de um vento novo que sopra.

Aos poucos, Salvador, os seus despertam.

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