ESPETINHO DIFERENCIADO: churrascão do DESOCUPA na Praça de Ondina

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Venha participar com o Movimento DESOCUPA da reconquista da Praça de Ondina, um espaço público equivocadamente destinado a fins comerciais privados, e ocupado há quatro meses por um camarote, a partir de um contrato cuja legalidade está sendo questionada na Justiça Federal pela Defensoria Pública da União (CLIQUE AQUI para saber mais).

Vamos celebrar a diferença, a heteroneidade, a mistura!! Chega de espaços segregados!! A Praça é do povo!!

Leve cadeira de praia porque nessa praça (ainda) faltam bancos. Leve protetor solar porque nessa praça (ainda) faltam árvores. Leve frescobol, bola, violão, amigos, família! Vamos fazer desse encontro uma grande festa, uma celebração da voz do povo e do seu direito de usufruir do espaço público!

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ESPETINHO DIFERENCIADO: churrascão do DESOCUPA na Praça de Ondina

Sábado (17.03) às 15h na Praça de Ondina

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17 respostas em “ESPETINHO DIFERENCIADO: churrascão do DESOCUPA na Praça de Ondina

  1. Ai como seria bom se as pessoas protestassem contra os verdadeiros problemas existentes na sociedade! Voces do movimento Desocupa Salvador acabam desviando o foco do problema, pra mim isto é perda de tempo, distração. Por que em vez de perder tempo na praça de Ondina nao vao para as comunidades carentes tentar distribuir informaçao para o povo? são capazes de elitisar até mesmo um movimento como este. E viva comunidade intelectual baiana (… e os alunos da UFBA)!
    Por acaso vão distribuir churrasco para o povo também?
    Como sempre tudo acaba em festa…

  2. a minha opinião sobre essa iniciativa é bem diferente….não acho que isso significa acabar em festa no sentido pejorativo, do descaso como vc sugeriu, carolina, e sim em fazer festa no sentido produtivo! esse é um evento que marca simbolicamente e de uma forma fora dos padrões de protesto, já tão desgastados, alguns dos motivos pelos quais estamos lutando (e algumas vitorias parciais, por que não?). sem dúvida alguma a nossa cidade padece de um sem número de problemas e cabe a nós, cidadãos, nos implicarmos da forma que pudermos e conseguirmos para lutar pelos nossos interesses. o movimento desocupa é apenas uma parte de toda essa complexidade. por trás dessa ‘festa’ estão assuntos da máxima importância para os moradores de salvador, que estão sendo tocados por poucas pessoas, porém dedicadas e concentradas para fazer acontecer. e o resultado disso vai ser pra mim, vai ser pra vc. eu também me preocupo com uma possível eletrização do movimento, temos tentado transcender isso, mas não é fácil! depende de cada um de nós (e nem todo mundo se dispõe a descer do alto do lugar de onde se critica pra colocar a mão na massa, o que inclui criticar de forma produtiva, sugerindo, problematizando). tudo o que a nossa cidade não precisa é do discurso niilista, destrutivo e sem proposições. o lugar da crítica é sempre mais confortável…precisamos ter cuidado para nao retirar a legitimidade de algo que foi e está sendo construído sobre interesses genuínos em cuidar da cidade. realmente não entendi o evento como algo que remetesse a ‘dar churrasco ao povo’; isso não tem nada a ver com caridade, nada a ver com hipocrisia. isso, na minha opinião, tem a ver com fazer valer um espaço que é nosso, e que inclusive nós, ‘elitezinha da cidade’, raramente desfrutamos por sinal. pra mim é mais ou menos por aí.

  3. Da Lama Ao Caos
    Nação Zumbi

    Posso sair daqui para me organizar
    Posso sair daqui para desorganizar
    Posso sair daqui para me organizar
    Posso sair daqui para desorganizar

    Da lama ao caos, do caos à lama
    Um homem roubado nunca se engana
    Da lama ao caos, do caos à lama
    Um homem roubado nunca se engana

    O sol queimou, queimou a lama do rio
    Eu ví um chié andando devagar
    E um aratu pra lá e pra cá
    E um carangueijo andando pro sul
    Saiu do mangue, virou gabiru

    Ô Josué, eu nunca ví tamanha desgraça
    Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça

    Peguei um baláio, fui na feira roubar tomate e cebola
    Ia passando uma véia, pegou a minha cenoura
    “Aí minha véia, deixa a cenoura aqui
    Com a barriga vazia não consigo dormir”
    E com o bucho mais cheio começei a pensar
    Que eu me organizando posso desorganizar
    Que eu desorganizando posso me organizar
    Que eu me organizando posso desorganizar

    Da lama ao caos, do caos à lama
    Um homem roubado nunca se engana
    Da lama ao caos, do caos à lama
    Um homem roubado nunca se engana

    O sol queimou, queimou a lama do rio
    Eu ví um chié andando devagar
    E um aratu pra lá e pra cá
    E um carangueijo andando pro sul
    Saiu do mangue, virou gabiru

    Ô Josué, eu nunca ví tamanha desgraça
    Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça

    Peguei um baláio, fui na feira roubar tomate e cebola
    Ia passando uma véia, pegou a minha cenoura
    “Aí minha véia, deixa a cenoura aqui
    Com a barriga vazia não consigo dormir”
    E com o bucho mais cheio começei a pensar
    Que eu me organizando posso desorganizar
    Que eu desorganizando posso me organizar
    Que eu me organizando posso desorganizar

    Da lama ao caos, do caos à lama
    Um homem roubado nunca se engana
    Da lama ao caos, do caos à lama
    Um homem roubado nunca se engana

    Da lama ao caos, do caos à lama
    Um homem roubado nunca se engana
    Da lama ao caos, do caos à lama
    Um homem roubado nunca se engana

  4. Eu estou aqui criticando a ação, não a intensão. E posso lhe garantir que meu discurso nao é niilista, destrutivo e sem proposições. Eu, apesar de nao morar em Salvador, sou ativista do movimento occupy, trabalho como voluntaria para amenizar a situaçao das crianças do nosso país, sou baiana e amo o meu estado, o meu povo e sei dos verdadeiros problemas sociais que temos de enfrentar todos os dias, e posso lhe dizer existem problemas muito mais urgentes do que um camarote numa praça localizada num dos bairros mais nobres da cidade. Sugerir que mais uma festa de largo seja necessária para alertar o povo sobre o que se passa na politica local é ridiculo e para mim, apenas reflete quão limitado é o movimento de Salvador. E numa cidade onde muitos morrem de fome dar churrasco ao povo seria sim um gesto caridoso e positivo, nao hipócrita.
    Mas exigir que vc, como mesmo se descreveu, a “elitizinha da cidade” fosse capaz de enxergar além do próprio umbigo seria pedir demais.

    • Carol, a ação não é isolada. Não é a única. E não é o fim do movimento. É uma entre muitas para chamar a atenção para a questão de grandes empresários manterem a prefeitura no bolso. Compraram o Sr. João Henrique, compraram o Sr. Cláudio Silva, e com isso, deixaram a cidade a mercê. Atacar o camarote é apenas uma forma de dar visibilidade a isso. É preciso ser criativo. A cidade está vendida e a prefeitura não funciona. E o povo está, há anos, apático, na maior parte do tempo. É disso que estamos falando. Estamos atacando a matriz de muitos problemas, e esta é, sim, uma questão muito grave.

      E realmente, esse argumento de “existem outras coisas mais urgentes com o que se preocupar, logo, você não pode se preocupar com isso”, uma falácia, uma forma boba de argumentar. SEMPRE vai existir um problema maior, isso ME IMPEDE de cuidar de um problema? Porque existe algo pior? Vai pro Iraque, então. Uma pessoa com câncer não deve cuidar das suas unhas encravadas… só porque tem câncer?

      Tenha um bom dia.

  5. Isso, Carol! Você tem todo o direito de comentar o que quiser. A tribuna é livre! aproveita e divulga melhor suas grandes ações populares para “amenizar a situação das crianças do nosso país”. faça convite para que mais pessoas participem de suas ações. somos aliados e somos diferentes, ao contrário do que o rótulo elitista parece traduzir do que você entende do movimento. certamente você faz comentários no mesmo tom e com a mesma verve crítica enviando emails e posts nas redes sociais e blogs e sites da prefeitura, da Câmara e dos nossos ilustres vereadores. o legal do #Desocupa é que a gente gosta de protestar mas também de agregar e por isso estamos juntos e somos cada vez mais! manda suas crianças pro churrasco. manda o endereço do lugar onde você atua e proponha alguma atividade em comum. são tantas as coisas que podemos fazer juntos! e venha comemorar com a gente. Finalmente há um coletivo de pessoas interessadas em cidadania, em arte, em novos modos de expressão da indignação e, por que não, em comemorar protestando ou protestar comemorando. isso é muito bom! Viva!

  6. pois é, carol, é triste que os discursos sempre partam pra o lado do ataque pessoal. como vc nao me conhece, nao pode falar sobre mim, minhas ações e intenções e muito menos do quao longe enxergo partindo do meu umbigo; e eu nao vou ficar reforçando isso aqui. ‘elitezinha’ somos nos, eu e vc, que temos alguns acessos. sem duvida alguma existem problemas mais graves do que um camarote numa praça. mas acontece que isso só existe também e por causa de todos esses problemas mais graves, é um intrincado de coisas. e isso nao desfaz a importância, ao meu ver, de se brigar para que o camarote saia. se fosse assim, colocaríamos no lugar de desimportancia a luta pelo direito dos animais, por exemplo, ja que os seres humanos estao sendo também destruidos ( e o pior, destruindo-se). e esse é discurso torto. acho que as açoes tem que ser paralelas, espalhadas e espalhando-se. o espetinho nao é uma festa de largo. acho que a ideia esta sendo distorcida ou entao sou eu que, pela distancia, nao estou vendo direito. como vc, também moro fora de salvador e sou uma cidadã soteropolitana nao só apaixonada pela cidade mas tb implicada, desde sempre, nas suas questoes. e atuando nos niveis que me couberam, que eu pude e consegui ao longo do tempo. acho que a ideia nao é usar uma festa para alertar o povo. a ideia é ir à praça, fazer desse dia algo simbólico, que represente o uso do espaço publico pelos moradores da cidade. pra mim é isso. e outra coisa que nem havia comentado e que penso ser óbvia, é que o nome ‘diferenciado’ é uma critica, uma ironia justamente a essa ideia de segregação. pra mim, usar essa palavra só mesmo com tal conotação. e esse discurso foi sim, sem proposições. pelo menos esse foi. no mais, de alguma maneira estamos juntos na medida em que queremos, no final das contas, a mesma coisa.

  7. Olha Camilo, a minha intençao nao é ofender ninguém, mas mesmo sem querer acabei ofendendo. Talvez a intensidade das minhas palavras incomode, mas nao acho que meu argumento é invalido, ou bobo, se fosse tao bobo nao incomodaria tanto. Apesar de nao concordar com a açao de vcs acredito que o protesto é necessario. A questao é saber priorizar.
    Alex, as minhas criancas sao as suas criancas tambem, o problema é que apenas poucos assumem a responsabilidade. Se estiver mesmo interessado em contribuir de verdade com a causa visita o site do projeto e se informa: Projeto Beija-Flor ou KolibriCARF (children at risk). Em Salvador existem outros projetos como o Grupo Cultural Arte Consciente, ou projeto Axe… se vc realmente se disponibilizar vai encontrar varias instituicoes que necessitam de voluntarios. Eu trabalho na matriz do projeto aqui em Bergen – Noruega, portanto nem mesmo se eu concordasse com a acao de vcs poderia estar presente. De qualquer forma, boa sorte.

    • Legal. Você não me ofendeu. Só respondi de maneira dura, porque suas palavras no primeiro comentário foram bastante duras e um pouco arrogantes em minha opinião.

      “Acredito que o protesto é necessário” já é bastante diferente de “Ai como seria bom se as pessoas protestassem contra os verdadeiros problemas existentes na sociedade!”.

      Eu acho que a apatia da população e a ausência de uma postura cidadã é o problema mais grave possível a ser enfrentado em qualquer lugar. Acho que é a partir dele que surgem todos os problemas que podemos atacar coletivamente e não consigo imaginar nada mais verdadeiramente problemático em minha sociedade para enfrentar. O churrasco, insisto, é uma ação entre dezenas – entre as programadas e as que já aconteceram.. Se você pensa diferente, OK, é uma questão de ponto de vista de o que é prioritário e o que não é. Mas não é, definitivamente, “perder tempo”.

      Essa postura de dizer “porque não fazem aquilo ao invés de fazer o que estão fazendo?” é totalmente irritante. Ser irritante não faz com que não seja bobo. Ofensas gratuitas são muito incômodas (só um exemplo, sua provocação é válida, não é gratuita).

      E por fim, mas não menos importante – talvez o mais importante – ninguém “distribui” informação para o povo. ESSA SIM é uma visão elitista (perceba que o seu discurso se coloca fora do povo – distribuir informação lá pra eles). Eu sou povo. E os nossos encontros no Centro Cultural de Plataforma com NÓS, O POVO são tão importantes quanto as reuniões no Teatro Vila Velha. Lá e cá, cidadãos, povo, iguais, construimos conhecimento e informação juntos.

      Um abraço.

    • Carolina,

      Que bom que chegamos a um tom de diálogo bacana. Neste momento não posso atuar como voluntário e se me referi às suas crianças foi um pouco de ironia em relação ao primeiro comentário, o que já foi mais que comentado aqui e que já foi esclarecido. E eu peço desculpas pela ironia. Vou te contar uma “historinha”, se você me permite, para explicar por que não vou aceitar sua sugestão de procurar os referidos projetos neste momento.
      Eu atuei durante quatro anos como voluntário num grupo que lidava com crianças com HIV-AIDS, no Hospital das Clínicas. Hoje, infelizmente, a vida não tem me dado o tempo que gostaria (por causa do trabalho e dos estudos e outros compromissos menos pragmáticos), mas quando posso visito os meninos do CAASAH e é com essas crianças que me interessa atuar. Não porque as outras tenham menos importância, mas é porque foi esse o contexto em que mais atuei e criei laços e, acho, em que posso ser mais útil. Antes eu tinha feito trabalho de campo com travestis em situação de risco de contaminação de DST/HIV-AIDS. Foi um trabalho barra-pesada ainda que produtico e ir encontrar com crianças no hospital foi, para mim, encontrar leveza, aproveitando a experiência anterior. Muitas das crianças com que eu convivi morreram, mas algumas resistiram. Recentemente eu encontrei com uma delas, 8 anos mais velha, no CAASAH, qe agora é mãe de uma criança que negativou a carga viral. E ela me reconheceu. E me apresentou o filho dela.
      Eu só quero dizer com isso que eu sei bem o que significa ter a experiência de lidar com crianças de quem a maioria não espera nada. E ter a boa surpresa de que elas sempre tem muito mais a ensinar, com suas histórias geralmente duras, geralmente muito diferentes das minhas. Longe de mim querer dar lição de moral ou me sentir melhor que ninguém porque tive essa experiência da qual tanto me orgulho, e da qual eu fui o principal beneficiado. Apenas quero que você saiba que, assim como eu, certamente há muita gente aqui que atuou e ainda atua em contextos, digamos, mais emergenciais. Mas nem por isso, ou melhor, exatamente por isso, é que temos que buscar leveza, sempre. E que essas crianças não sejam minhas, nem suas, nem nossas. Que sejam, na mais absoluta plenitude, simplesmente delas mesmas.
      Bom trabalho aí e continue em contato com a gente.
      Alex

  8. pois é, carolina nao sei se de formas tao diferentes assim….nao devemos levar tudo a ferro e fogo. o espetinho do desocupa nao é, de longe, A forma pela qual luto, lutamos por justiça e igualdade. aliás, acho que nem mesmo há uma forma, e sim várias. penso que toda critica é bem-vinda, é esperada. se nao houver criticas, as coisas perdem a tensão, enfraquecem. eu só cuido pra que as críticas nao desvalorizem completamente algo que tem um valor por si. e também achei importante esse espaço para colocar minha opiniao acerca desse evento. nao o minimizo mas tb nao o coloco num lugar superlativo. é apenas mais um passo, mais um formato, uma maneira, dentre tantas, de dizer alguma coisa. vamos em frente!

  9. algumas reflexões: o projeto axé, por exemplo, assinou uma nota de apoio ao camarote salvador. eu pessoalmente liguei para falar com o diretor três vezes, e ele recusou-se a atender. no final das contas, não confirmou nem desmentiu o apoio da nota; mas quem cala….a gente sabe. e teve dinheiro por trás disso tudo. então, eis a questão: quem trabalha contra ou a favor de que? quem prioriza o que? o buraco é mais embaixo, carolina! eu mesma fui educadora de rua da fundac (uma versao do governo do estado para o projeto axé) e sei bem como as coisas funcionam. tenha cuidado ao falar de um lugar onde se atribui muita importância às suas próprias ações e destitui a dos outros. esse é um exercício importante e tb pratico. as crianças precisam de ajuda, a cidade precisa de ajuda. e, ao meu ver, enquanto a ‘ajuda’ somente vier de fora, via associações, voluntários e outros tipos de assistencia e nao de dentro, do lugar de onde nascem as demandas, o nosso caminho será longo e tortuoso. é isso. desculpe se fui dura mas, realmente, o seu primeiro comentário foi muito arrogante. e esse é o tipo de postura que perturba a comunicação com a minha pessoa.

  10. Pelo que me consta a retomada se dará num contexto em que eles já desocuparam e a utilizaram, conforme os seus interesses, depois de terem feito o que bem queriam. Certo que o movimento e a imediaticidade da ação ocorrida não acumulou forças suficientes para embargar e impedi-los de se apropriarem anteriormente. Contudo, isso não invalida os atos simbólicos, como parece representar esse, para o qual agora se convoca. 

    Penso que o mais salutar, entre tantos desafios, é seguir acumulando, ampliando o movimento. Continuar com  as manifestações diante do prefeitura e da câmara municipal, numa perspectiva-objetivo de ir fazendo-nos mais e mais; o que significa ampliar o movimento para além de uma classe de artistas, intelectuais, e classe média. Poder, quem sabe, incluir, convocar e se relacionar com outros movimentos e pessoas para estabelecer um contra-poder e um caráter, de fato, comunitário às demandas. 

    Óbvio que isso não é simples nem possível em dias ou poucos meses, sobretudo numa ambiente desagregado, deseducado, despolitizado, pleno de retórica, e narcisíco como o nosso. Reconhecer o limite e a necessidade de rebelar-se é a condição para construir uma  resposta possível, necessária. Muito além de um entusiasmo momentaneo teremos que assumir a  responsabilidade. Saber que o tempo é algo maior do que os nossos objetivos. Para estabelecer uma pauta comum e mais ampla do que uma praça em Ondina, já desocupada pois utilizada,  não haverá outra forma se não a paciência, determinação e contatos. Tecer uma colcha de retalhos maior, com textura e cheiro, que não  o feicibuqui. Irmos atrás um dos outros. Identificar outros que somos nós, também.  Em suma, há uma idéia e ação  que pode se efetivar através da construção de uma Assembléia Popular, uma instância que reuna o desocupa, outros tantos movimentos, não representação partidária nem intenção eleitoral. Acampemos diante da câmera e comecemos nós a legislar…antes porém façamos o trabalho de formiga…como? Por ora não há saída senão a imaginação para reinventar uma prática política.

    Bater pé. Concluir que Salvador é um caos acumulado e que um prefeito é consequência de um tempo, de uma cumplicidade, da passividade coletiva, de uma paralisia e anulação do sentido de  comunidade. E, se tratando específicamente de um segmento de conscientes/cidadãos artistas, profissionais liberais,descolados,trabalhadores; no melhor dos casos, um prefeito, um governador, uma poder, vereadores, deputados, todos esses mandam e governam, resultam do poder que nós atribuimos. Urge,com a paciência e decisão recomeçar, para de delegar e se queixar.
     
    O disfarce que escamoteia a mediocridade e o desastre que especificamente é essa cidade e essa cultura predominante se nutre da soma das indiferenças e das  retóricas. Pois, pelo discurso ninguém se diferencia. provavelmente o próprio prefeito, vereadores e governado, cúmplices, concordarão que a cidade é um caos e que há muito faliu, tal qual a nossa sociedade do crediário que estar a confundir emancipação social e popular com consumo.

    Afinal, pensando numa manifestação específica na praça de ondina,  sem aqueles que imediatamente foram afetados pela usurpação temporária da praça, os moradores do morro de São lázaro, de parcela de moradores de Ondina, e de muitos outros que nos fins de semana desfrutam daquela praia, resulta estranho, causando em nós, mesmos – manifestantes,  a percepção do paradoxo, de algo estranho, quando olhando para o parceiro/companheiro ao lado, será improvável identificar um outro que seja do bairro,  os locais  que devem  também respaldar e se particiopar. Nós/ o Desocupa pode ser, deve ser vanguarda? Claro, mas que fim terá  uma vanguarda se deslocada e não relacionada… A história já respondeu. 

    Provavelmente haverá um equívoco ao pensar que cabe ao Mov. Desocupa tal função e capacidade. Já vale fazer aquilo que estar dentro das possibilidades.

    A propósito, a cidade esse todo caótico, amplo, para além dos 5 km de leste a  oeste,  convenhamos, não tem na praça de Ondina a  sua questão imediata e fundamental.  Por isso talvez não seja injusto nem equivocada tal reflexão se entrarmos  no mérito de onde centrar os esforços e definir O que fazer.(?) 

    Uma cidade cujo centro é degradação e fedor, sem calçadas, com homens e mulheres dejetos circulando vagando? Prédios históricos em ruínas total, as casa de papelão sobre todas as ruas e latitudes. O que significa toda nossa decadência e indiferença diante de um lugar que com ou sem greve de polícia a cada fim de semana   20, 25, 30 são mortos matados? Como reclamar ou fazer da praça de Ondina a nossa pauta diante disso?  Ondina no meio disso, mas por favor concentremos esforços e imaginAções para não seguir tergiversando diante do encanto e do imperativo de lutar, de re-existir.

    A  figura  de um governador medíocre ( salvo pela globo, pela mídia) que diante da greve da polícia, na iminência do carnaval ameaçado por quem era a ordem e  lei, e logo  bandidos; esse governador  que apóia J.Henrique  teve o cinismo de numa entrevista ao Portal Terra dizer que desconhece o projeto do prefeito de desapropriação da Baía de Itapajipe (???). Na mesma linha o presidente estadual do PT disse que o que interessa de fato é apenas a COPA. 

    Pensemos em  manifestações constantes, semanais, ou a ocupação permanente da Praça Municipal, com demandas que transcendam e incluam também a pitoresca praça de Ondina. A praia de Ondina, agora revelada, ficaria para o Ministério Publico cuidar, impedindo, sob o respaldo das ruas que  o próximo carnaval, não só lá mas parte do centro e orla sejam privatizados; obrigando sob demanda popular que a máfia do dendê e blocos paguem impostos!  

    E nós, podendo e devendo ser mais  e mais, somaremos para exigir uma praça de Ondina em cada bairro apertado, sujo e violento de Salvador. Um conservatório de música e um complexo esportivo na Suburbana, em Coutos no Bairro da Paz. limite na venda de veículos na cidade; urgencia na solução do problema do transporte coletivo; INSTALAÇAO  DE UMA INVESTIGAÇAO para apurar o desvio e gastos na obra do metrô;  apurar o lobby  a a corrupção patrocinada pelas construturas; obrigatoriedade para que  o prefeito ande de onibus,  para que o governador pare de andar de helicóptero e viva o transito de Salvador.
     
    Que façamos algo contra a indiferença e a naturalização da miséria e  da corrupção. Sem mais os nós outros dejetos humanos nas ruas de Salvador. E por aí vai.

    Façamos da  praça de Ondina um dos lugares para reuniões do mov desocupa com outros movimentos e pessoas. Revezemos entre a praça de ondina,  o Curuzú,  a Plataforma.  Ou é que  esses dois lugares são muito distantes? Para quem? Se a periferia é o centro.

    São infinitas as demandas tanto quanto infinitas as possibilidades se deixarmos de lado a  retórica e alcançarmos e  ocuparmos as ruas e outras praças.

    Rogério Ferrari

     

  11. Camilo, para refletir: “In a controversy the instant we feel anger we have already ceased striving for the truth, and have begun striving for ourselves”. Buddha
    Maria Beatriz, nao sei oq se passa com o projeto Axé no momento, mas quando me refiro a ele o uso apenas para ilustrar o meu ponto de vista. Todos nós precisamos de ajuda, nao faz diferenca, quando atravéz de qualquer projeto nos oferecemos como ferramentas no processo de evoluçao da sociedade o fazemos pelos que mais necessitam, mas fazemos também pelo contexto, porque para a maioria, talvez seja mais facil interagir com estas pessoas em situacao de risco atravez de uma instituicao, mas nao o fazemos pela instituicao em si. O lado burocratico é sim importante, mas nao muda o princípio.
    Alex, obrigado por dividir um pouco da sua experiência com a gente. Eu sei que existem muitos trabalhando nesta area, mas infelizmente ainda nao sao suficientes, precisamos de mais.
    Rogério, vc conseguiu dissecar melhor os pontos a que me refiro no primeiro comentario, talvez eu tenha realmente sido um pouco sarcastica e arrogante e isso acabou limitando a minha expressao.

  12. Ótimo Carolina, acho que vc teve a humildade de colocar as coisas de outra forma e reconhecer o tom não muito convidativo das palavras no comentário inicial. ( acho que todos temos estes momentos de erros com os tons das palavras em ambientes virtuais )

    Como vc vive hj na Noruega, deve conhecer muito bem os espaços públicos e o valor que as pessoas daí dão a isso, coisa que em Salvador é desconhecido ou desvalorizado. O Movimento Desocupa, que teve “raízes” com um Occupy da Praça de Ondina entre setembro e novembro de 2011, teve tmb o seu ápice em janeiro de 2012, com um protesto contra a praça.

    Então, para todos nós, existe um simbolismo muito grande com aquela praça. Promover o uso dela e de qualquer espaço público é um desafio para a mentalidade atrasada de Salvador, que se esconde nos muros e grades dos condomínios.

    Junte-se a nós. Promover aquele espaço tmb é uma forma de promover espaços para pessoas em situação de rua. E talvez ter uma cidade um pouco mais humana.

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