4a Edição do Projeto A CIDADE QUE QUEREMOS debate o modelo excludente do Carnaval de Salvador

O Carnaval de Salvador foi o tema dominante do debate realizado nesta quarta-feira (07.03) à noite no Teatro Vila Velha pelo projeto A CIDADE QUE QUEREMOS, promovido pelo Teatro e pelo Movimento DESOCUPA.

A 4a edição do projeto começou sem a presença do administrador da Premium Entretenimento, o Sr. Luiz Mendes Júnior, que entrou em contato com um dos integrantes do Movimento DESOCUPA com a intenção de “iniciar um diálogo e explicar a situação” da empresa e de tentar “construir uma solução para todos os envolvidos”.

O DESOCUPA, em contrapartida, propôs que o debate fosse público, com a presença de todas as autoridades e cidadãos interessados no assunto. De última hora, o administrador do Camarote Salvador encaminhou mensagem ao Teatro Vila Velha alegando que, estando a questão judicializada “a sede do debate deveria ser a própria Justiça” e resolveu não comparecer à conversa que ele mesmo solicitou.

Lembramos ao Sr. Luiz Mendes que a judicialização do debate começou por iniciativa do próprio Camarote Salvador, quando ajuizou ação intimando a jornalista Nadja Vladi, arbitrariamente indicada pela empresa como líder do movimento, a suspender manifestação pública contra a ocupação da praça de Ondina, sob pena de prisão e multas diárias.

Além da Premium, foram convidados representantes da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom), Secretaria de Patrimônio da União (SPU), Defensoria Pública da União (DPU), Ministério Público do Estado da Bahia e Ministério Público Federal.

A DPU foi a única a declinar oficialmente do convite, tendo apresentado suas justificativas em carta ao Movimento DESOCUPA que foi lida pelo coordenador do evento, o professor Ordep Serra. Nenhuma das outras autoridades compareceu nem tampouco encaminharam justificativas para suas ausências.

O professor Ordep Serra, depois de constatado que os convidados não estavam presentes lembrou que o movimento está aberto ao diálogo. “Diálogo não é conchavo, mas deve ser aberto e franco diante do público e das autoridades. Se não acontece não é por nossa vontade”, afirmou.

Na qualidade de colaboradora do GT de Análises Técnicas do Movimento DESOCUPA, a urbanista Glória Cecília Figueredo aproveitou a oportunidade para questionar a cessão da praça para a exploração comercial do camarote. “Uma coisa é privatizar o serviço de limpeza ou algum outro serviço público. Mas como privatizar uma praça, um bem de uso comum? Que serviço a empresa presta ali para os cidadãos?”, protestou (CLIQUE AQUI para assistir um trecho da fala de Glória).

Diante da ausência de representante do Camarote Salvador e das instituições públicas envolvidas no assunto, o movimento fez um debate sobre a própria cidadania. Vários pessoas trouxeram questões diversas ligadas ao carnaval. Uma delas, por exemplo, denunciou a falta de estrutura na região da festa para tratar com dignidade as pessoas que trabalham no carnaval: “Eles pagam para trabalhar. A prefeitura deveria oferecer um abrigo, um acampamento digno e não deixar as pessoas dormirem nas ruas com crianças e dejetos como pude ver este ano”.

O antropólogo Antenor Campos referindo-se à complexidade de questões que envolvem o Carnaval de Salvador disse que todos deveriam ter em mente que o valor de uso de um bem é mais importante que o valor de troca e isso não é levado em conta em Salvador.

“Não podemos privilegiar o valor de troca em detrimento do valor de uso. A ocupação desse camarote numa praça pública é privilegiar o valor de troca. Temos que bater firme nisso e não aceitar. Camarote só em área privada. Espaço público é pra pipoca, pra namorar, pra quem quer ficar em pé”, afirmou.

Outro participante do movimento, o urbanista Ícaro Vilaça, convocou os presentes a se integrarem nas ações do DESOCUPA, compartilhando ideias nas redes sociais, interagindo com as diversas mídias e propagando ideias em defesa da cidade e do interesse público.

O urbanista cobrou um amplo debate público acerca do carnaval soteropolitano, inclusive sobre a proposta recém-lançada por donos de trios elétricos e camarotes de fazer um carnaval privativo no Aeroclube. “Circuito privado não pode ser financiado com recursos públicos”, protestou.

Colaborou no texto o jornalista Josias Pires/ Fotos de João Milet Meirelles

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3 respostas em “4a Edição do Projeto A CIDADE QUE QUEREMOS debate o modelo excludente do Carnaval de Salvador

  1. De fato a nossa cidade está em péssimas mãoes: homens que ocupam cargos públicos, assumem o papel de superintendentes, e fogem de um debate com a sociedade. Nem seuqer têm a coragem de entrar ou a delicadeza em contato com o Movimento para informar de suas ausências. Integrantes do Moviemmtno tiveram que fazer esforços para buscar conseguir uma resposta. Por outo lado o empresário Luís Mendes não faz jus nem sequer ao texto que sua “sensível ” mãe Michele Marie publica sobre a dramática história desse empreendedor que com esforços montou o Camarote. Na realidade esse cidadão vive num grande pedestal e não tem nenhuma noção de cidadania, nem de compromisso, nem de respeito.

  2. Bom dia, colegas!

    a Guarda Municipal de Salvador gostaria de participar das mesas redondas propostas no Teatro Vila Velha que visam discutir “A Cidade que Queremos”

    Nos colocamos a disposição para contribuir com tal iniciativa e dialogarmos com representantes da sociedade civil sobre as nossas possiblidades junto ao cidadão soteropolitano na construção de uma melhor Salvador para todos nós.

    Atenciosamente,

    Noel Tavares DRT 2720
    Assessoria de Comunicação
    Superintendência de Segurança Urbana e Prevenção à Violência- SUSPREV
    Guarda Municipal do Salvador
    71 3183-8304/ 9984-2710
    EMAILS : guardasalvador@gmail.com
    ascomsusprev@gmail.com
    SITE: http://www.segurancaurbana.salvador.ba.gov.br
    TWITTER: http://www.twitter.com/guardasalvador
    FACEBOOK: http://www.facebook.com/guardasalvador

  3. O mais triste na Praça de Ondina é perceber que até hoje dia 12/03/2012 a praça não foi entregue ao povo, os comerciantes que trabalham naquela área ainda estão fora do seu local de trabalho.

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