Nem liderados por petistas, nem desocupados

Em nota publicada na coluna “Tempo Presente” do Jornal A TARDE deste domingo (26.02.2012), o jornalista Levi Vasconcelos afirma que o MOVIMENTO DESOCUPA é “liderado por petistas”. Nos surpreende o equívoco da informação, uma vez que nunca fomos, não somos e não seremos liderados por nenhum partido político.

Desde o início o MOVIMENTO DESOCUPA optou claramente por não ter vinculação com nenhum partido e ficamos surpresos que a esta altura ainda seja necessário esclarecer isso à imprensa. Também nos surpreende que o jornalista reproduza de forma acrítica a fala leviana do desprefeito, que visa apenas a desqualificação de um movimento legítimo da sociedade civil que tem recebido importantes apoios.

Outrossim, causa perplexidade que a mídia baiana, de forma sistemática, opte por se referir ao movimento a partir de versões de terceiros sem entrar em contato direto com os participantes deste. Informações corretas sobre o MOVIMENTO DESOCUPA estão à disposição neste site (movimentodesocupa.wordpress.com), no Fórum Permanente (CLIQUE AQUI) ou através do email movimentodesocupa@gmail.com

CLIQUE AQUI PARA SABER MAIS SOBRE O HISTÓRICO DO MOVIMENTO DESOCUPA.

CLIQUE AQUI PARA SABER MAIS SOBRE O COMPORTAMENTO DA IMPRENSA EM RELAÇÃO AO DESOCUPA.

CLIQUE AQUI PARA LER A RESPOSTA DO MOVIMENTO DESOCUPA AO SUPERINTENDENTE DA SUCOM.

——————————————————————————————————————–

ATUALIZAÇÃO: Indignados com a postura do jornalista Levi Vasconcelos (lvasconcelos@grupoatarde.com.br), dezenas de cidadãos que participam do MOVIMENTO DESOCUPA estão enviando mensagem de protesto ao referido jornalista, fazendo questão de afirmar que não fazem parte de partidos políticos. A jornalista Débora Didonê reproduziu seu protesto nas redes sociais:

Prezado Levi, a respeito de tua nota que cita o Movimento Desocupa “liderado por petistas”, digo que não sou e nunca fui filiada ao PT nem a partido algum. Sou apenas uma cidadã soteropolitana indignada com o estado catastrófico da cidade. Me anima saber que há cidadãos informados a fim de protestar contra irregularidades descaradas que mexem com o patrimônio público. Já chega de apatia em Salvador! Por favor, como jornalista, seja coerente respeite os cidadãos que fazem parte deste movimento. E como cidadão, saiba que estamos lutando também pela cidade que você habita.

Em tempo, participe do terceiro debate do projeto “A Cidade que Queremos”, programado para hoje, às 19h, no Teatro Vila Velha, para discutir sobre a LOUOS que Salvador merece. Quem sabe assim fica mais claro pra você quem de fato participa deste movimento.

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR A PÁGINA DE LEVI VASCONCELOS.

Anúncios

16 respostas em “Nem liderados por petistas, nem desocupados

  1. Afinal, quem são os ” participantes deste”. Até parece que o site e o movimento e apócrifo.
    Por que os líderes não aparecem? Assim evitariam comentários outros. Bem como, vi políticos do PT (Aladilce, Gilmar Santiago), e de outros partidos (Dr. Valdir , advogado da União, que foi candidato a deputado federal pelo PC do B), Hilton Coelho do PSOL, etc, na passeata feita desde o Campo Grande até a Praça Municipal. Todo movimento tem custo, quem arcou com as despesas? não vi nenhuma solicitação de contribuição neste blog. Quero o melhor para a cidade e entendo que algo deve ser feito, mas de forma clara e transpartente e, também, não permitiindo que estes políticos se infiltrem no movimento, pois são todos farinha do memso saco e assim como o prefeito nenhum deles, repito nenhum vez nada pelo município e agora querem pongar no movimento. Se não há vinculação política não permitam isso.
    Outra coisa, Márcio meirelles nunca fez nada por Salvador, respeito como diretor de teatro, mas como Secretário de Cultura de Wagner foi uma lástima, ao ponto de ser incessantemente criticado pela mídia e pelo seus pares e agora aparece como aproveitador do movimento.

    • Por que não temos lideres Ricardo, apenas por isso. Quanto a participação de pessoas partidárias, em minha visão, não há como proibir a sua entrada, contanto que esse movimento não sirva da palanque para ninguém, nem que suas bandeiras partidárias sejam levantadas, não vejo problemas em participar…

      Quanto aos custos, como toda passeata, os custos são financiados pelos próprios participantes, que nesse caso não foi muito, pelo que pude perceber…

      Quanto a Márcio Meirelles, esse não é o melhor lugar para falar se ele foi bom ou ruim, mas temos um espaço para o debate, que é Vila, que até o momento, tem sido interessante sim.

      Engraçado como as pessoas vem distorcer o movimento e fico me perguntando, com que propósito isso é feito? Estamos fazendo algo errado? Ou a pessoa que faz o comentário está mal intencionada? Nunca iremos saber, certo?

    • Ricardo, você saberá quem são os participantes do Movimento, seus líderes se assim quiser chamá-los, a partir do momento que estiver participando dele. Lá você poderá extrair com os seus próprios olhos as respostas para as suas dúvidas e verá também que algumas das suas questões não têm fundamento.

      O Movimento organiza uma atividade que acontecerá hoje no Vila Velha e em breve acontecerão outras, além dos Grupos de Trabalho que estão precisando de gente para acontecerem “de verdade”. Um dos grupos de trabalho, inclusive, é para dar autonomia financeira ao Movimento. Apareça!

      Agora, há uma coisa que para mim é certa. Os partidos políticos só dão a linha naquilo que já está esvaziado. Quando uma mobilização é ativa, com grande participação, são eles que seguem à reboque. Até agora tem sido assim e, ao contrário de ser assimilado pelos partidos, são os partidos que tem que engolir o Movimento. Óbvio que eles vão a todo momento investir para ou esvaziar o Movimento ou inverter esta lógica, afinal, quem não quer capitalizar uma mobilização social a seu favor? O que acabe à gente é dar consistência ao Movimento para que isto não aconteça.

      Abração e te espero no Vila Velha mais tarde!

    • Bacana a sua inquietação, bom que o movimento te provoca e que esteja atento às suas manifestações É natural que seus questionamentos e interogações estejam vinculados às suas referencias, outros modelos mais tradicionais de movimento: dependencia de um capital para financiamento, vinculação declarada a partidos, lideranças consolidadas. Estamos propondo um modelo ousado: colaborativo, aberto, participativo, onde todos são bem vindos, independente de partidos, desde que estejam alinhados com as motivações do Desocupa. Bom, não é uma resposta final, é só um inicio de diálogo. Seja bem vindo!

    • Não se trata de movimento apócrifo mas, sem dúvida nenhuma, não guarda nenhuma relação com coronelato, messianismo ou falta de figura paterna. O blog do movimento existe, com interlocutores que, sim, variam e se os veículos de comunicação quiserem – realmente – terão com quem falar fazendo o contato por aqui. Ao que parece de um modo geral, o que as pessoas têm (incluindo a imprensa) é dificuldade de estar em algum lugar sem ter alguém para seguir (seja na vida cidadã, seja no pagão carnaval).

      Num movimento dessa natureza é difícil impedir o acesso dos grupos. Particularmente, sabemos que a muitos não atrai a ideia de ter figuras políticas e bandeiras de partido (ou ex-políticos) nas ações do DESOCUPA e nossa orientação é sempre nesse sentido (a exemplo do que se deu na Pipoca Indignada), pois, de fato, trata-se de movimento que se pretende apartidário.

    • Caro Ricardo,
      as pessoas que vc cita são políticos de fato que tem aparecido nas manifestações do Desocupa, movimento aberto no qual tem outros representantes de movimentos sociais diversos e de associações de classe. Alguns deles tem aparecido porque são uma minoria diante dos absurdos que estão acontecendo, mas não porque tenham recebido ‘convite’ nem porque representem alguma filiação do movimento.
      Sobre tua dúvida sobre as supostas ‘lideranças’, eu, por exemplo, sou professora da UFBA, não tenho nem sequer título eleitoral e muito menos filiação a partido algum. Fui uma das pessoas que começou este movimento, inclusive uma das que redatou ontem à noite a nota a Levi Vasconcelos, mas não por isso me considero ‘liderança’, até porque a viabilização de um flashmob, como vc deve saber, não tem propriamente esse tipo de diferenciação. O fato de vc estar postando tua opinião aqui já te caracteriza como participante. Porém, isso não implica que tenhamos pensamentos similares nem posturas coincidentes.
      Não vou entrar nas tuas considerações sobre Marcio Meirelles porque penso diferente de vc e entendo que a contribuição dele para a o cenário cultural foi imensa, com lacunas e com problemas como toda gestão, mas muito positiva no meu entender. Respeito tua posição, porém, não concordo.
      Quanto às despesas do Desocupa que vc cita, até agora, todos temos arcado com uma parte dos custos. Por exemplo, os cartazes que vc tem visto nas passeatas e as xerox dos panfletos tem sido custeados por nos mesmos… não muito caro, acredite, porque temos tido preço especial de alguns donos de xerox que solidários com o Movimento, tem feito bons descontos. Vc poderá observar nas fotos também que nossas faixas e cartazes são feitos artesanalmente, a mão… (não queira saber como tem sido nossas noites anteriores a essas manifestações, quase sem dormir!). As (poucas) camisas que fizemos para a passeata do Campo Grande custaram R$ 8,00 cada uma; Luciano encomendou e cada um pagou a sua… Manter esta página tem significado um esforço grande de ‘componentes’ como Icaro, Diego ou Daniel, por exemplo, que investem algumas horas do seu dia a dia mantendo as atualizações. Tainá e Fábio, outro exemplo, tem se ocupado de desenhar muitos dos cartazes virtuais… Bia, entre outras, tem se encarregado de mandar para imprensa os releases… e, enfim, poderia continuar te nomeando muita gente mais, sob risco de cometer omissões e esquecimentos porque, felizmente, somos muitos!
      Cada um vai contribuindo como pode porque aqui não temos ‘secretaria’, nem ‘gabinete’ nem ninguém em quem mandar ou a quem delegar tarefas! Somos todos gente de trabalho (e não ‘desocupados’ como disse cinicamente o Prefeito). Se isso é ser ‘líder’, creio que seriamos injustos com o monte de gente que está trabalhando em grupos específicos fazendo isto funcionar… muita gente eu conheço apenas pelos nomes nesta comunidade virtual. Mas saiba que tem muitos profissionais que estão cuidando das áreas jurídicas, de comunicação, de organização, de análises técnicas etc. É uma grande movimentação, não tenha dúvidas, mas não temos estrutura formal nem recebemos verba de ninguém… por isso garantimos nossa autonomia, independência e pluralidade.
      Seja benvindo se tiver espírito de colaboração… Mas se só tiver desconfianças e quer atirar pedras a quem está fazendo algo contra essa situação toda, procure outra freguesia porque aqui estamos bem ocupados trabalhando e tentando dar conta desse marasmo em que se transformou a opinião pública soteropolitana, anabolizada de mesmice, conformismo e passividade diante de qualquer noção elementar da coisa pública e dos rumos da nossa cidade.

  2. Basta participar do movimento para saber quem está ajudando a organizar e quais os anseios destas pessoas. Sem dúvida, cidadãos interessados em mudar, e que têm usado muita energia de suas vidas em ações que acreditam beneficiar sua cidade – que está um caos, diga-se. Todo cidadão tem direito a fazer parte de um partido político, embora eu não faça a mínima questão disso, o que não é permitido aqui é que se levante a bandeira do Desocupa – que é um movimento cidadão – dizendo ser essa a bandeira de um partido. ESSA BANDEIRA É CIDADÃ! E não precisamos de partido algum para fazer tudo o que já foi feito. O Desocupa em si já conta com muita força de vontade para acontecer, não pode se transformar em órgão fiscalizador. Nossa fiscalização é estritamente ligada aos desmandos do governo de JH e sua equipe, estritamente em prol de políticas públicas que beneficiem a cidade. Se alguém puder fazer mais, junte-se a nós. Agora, perfeição, isso não existe.

  3. Basta participar do movimento para saber quem está ajudando a organizar e quais os anseios

    destas pessoas. Sem dúvida, cidadãos interessados em mudar, e que têm usado muita energia de

    suas vidas em ações que acreditam beneficiar sua cidade – que está um caos, diga-se. Todo

    cidadão tem direito a fazer parte de um partido político, embora eu não faça a mínima questão

    disso, o que não é permitido aqui é que se levante a bandeira do Desocupa – que é um

    movimento cidadão – dizendo ser essa a bandeira de um partido. ESSA BANDEIRA É CIDADÃ! E não

    precisamos de partido algum para fazer tudo o que já foi feito. O Desocupa em si já conta com

    muita força de vontade para acontecer, não pode se transformar em órgão fiscalizador. Nossa

    fiscalização é estritamente ligada aos desmandos do governo de JH e sua equipe, estritamente

    em prol de políticas públicas que beneficiem a cidade. Se alguém puder fazer mais, junte-se a

    nós. Agora, perfeição, isso não existe.

  4. Oi Ricardo, a sua pergunta me parece refletir os questionamentos de muitas pessoas que não estão bem informadas sobre o Movimento DESOCUPA, já que temos presenciado a imprensa agindo de ma fé ou de forma leviana com o Movimento (comumente associando ao PT). De fato, o DESOCUPA é um movimento não-partidário (questão inclusive discutida e votada no fórum de discussões no Face Book) e que nasceu de uma necessidade genuína dos baianos e não baianos apaixonados por Salvador, pela Bahia de interferir nos desmandos que estão colocando a nossa cidade num estado lastimável, em diversos níveis. Em relação a essa falácia de que o DESOCUPA é partidário, ainda ontem eu comentei no fórum que certamente este será o grande carma do DESOCUPA: quererem lhe dar um partido pra chamar de seu! Eu entendo que isso pode ser um reflexo da crença geral de que nada além de poder político e grana pode mobilizar pessoas para algo. E estamos aqui para provar que é diferente. Sobre você ter visto políticos na passeata do Campo Grande, essa também foi uma questão discutida amplamente e exaustivamente no fórum. Impedir os cidadãos com partido político de se manifestarem? O que ficou em senso entre os que se manifestaram no fórum, e foram muitos, foi que caso pessoas partidárias e mesmo políticos profissionais começassem a levantar literalmente suas bandeiras, iriamos pedir gentilmente para que eles respeitassem aquele espaço ali que não tinha relação com partidos. Ou seja, se quisessem protestar como cidadãos, bem-vindos! A ideia era que ficasse bem claro que aquele movimento, aquela força que estava sendo movida ali NÃO tinha interesse em se aliar a partido algum, portanto não era o lugar pra levantarem suas bandeiras. Em relação ao dinheiro, até o momento o único evento para o qual precisamos de grana foi o desfile da Pipoca Indignada, no carnaval, na Quinta-Feira. Para isso, diversas pessoas doaram quantias distintas, dentro das possibilidades de cada um, até conseguirmos alcançar o valor necessário para pagar a fanfarra que acompanhou o desfile. No mais, nas passeatas cada um levou um pouco do que tinha, produziu seus cartazes, suas faixas, suas fantasias, enfim, criou. Algumas pessoas trabalham com designer e tem feito de forma brilhante os flyers do Movimento. Enfim, somos cidadãos brasileiros, baianos, soteropolitanos (muitos de nós nem nos conhecíamos ou ainda não nos conhecemos pessoalmente) que estamos tentando, a duras penas mas com importantes vitórias, fazer valer uma palavra tão constantemente falada quanto pouco exercida: cidadania. É também um exercício de confiança pois, a principio, precisamos crer que o que move aquele outro que vem chegando é a mesma coisa que me move, por exemplo, e isso tem sido algo muito interessante de experimentar. Em relação a Marcio Meireles, a despeito da avaliaçao que cada um tem de sua gestão, a minha postura será a mesma diante inclusive de outras figuras públicas ou mais conhecidas, digamos assim, que venham a fazer parte: o DESOCUPA não é um espaço para fazer politica a favor de si e de seus interesses privados. Para mim pelo menos isso é claro e irei me posicionar, assim como qualquer um pode fazer, caso qualquer figura se sobreponha ao movimento como um todo, e mesmo à sua imagem ou se utilize dele. Entendo que este é o ponto no qual devemos focar diante de preocupações como essa, que é uma preocupação legitima. Enfim, Ricardo, acho que o que estamos fazendo é aquilo que se espera de um líder, por isso você e tantas pessoas procuram por um. Assim como você e todos aqui eu me importo, e muito, com a cidade. Não tenho nenhuma vinculação a partido político e nem a menor intenção de ter. Acredito completamente que um movimento desta natureza pode viver, crescer e multiplicar sem o apoio de partidos políticos e sobretudo de suas orientações ideológicas. inclusive, se isso um dia acontecesse, seria uma das primeiras pessoas a sair dessa cena. Tomara que todos os comentários tenham sido esclarecedores e eu te convido a participar do nosso fórum no Face Book. Abraços, Beatriz

  5. Ricardo, eu queria começar dizendo que… (e aqui eu >descomeço< e digo que o que mais faço é apenas continuar e, quando muito, repetir – com o contributo de alguma pouca diferença ou coisa assim que cada de nós faz – coisas já antes afirmadas, retesadas nas palavras de outr@s)… E se o blábláblá de até aqui ainda lhe/nos deixa continuar no texto, então pode ser o momento de tentar alguns paralelos (a que suponho não poderei agora conferir contornos muito legíveis) entre uma potência que vem caracterizando e constituindo o movimento desocupa (o seu apartidarismo) e essa questão que agora se colocou mais uma vez e que por tantas outras vezes será recolocada, relativamente ao mesmo movimento (a sua liderança).
    Para complicar isso um pouquinho, convém tomarmos algo de certo modo situado fora do movimento, mas que começa a adentrá-lo (as figuras dos partidos e, mais ainda que estas, as figuras d@os candidat@s). Convém pensar o estatuto das questões sociais nesse contexto.
    Agora que o tempo das eleições é já um quase início, algumas figuras começam a despontar no horizonte. E essas figuras nenhum de nós tem facilidade em pensar que são outras que não as figuras candidatáveis, figuras de possíveis pessoas para as posições de uma liderança a ser exercida na administração da cidade, na câmara de vereadores e na prefeitura. Essas figuras não são nem tanto os partidos, menos ainda as coligações, não são nada ou quase nada programas que ponham em relevo certos problemas da cidade. É fato que estes chegam a ser dramatizados, são até mesmo espetacularmente encenados. Mas parece também verdadeiro que eles o são muito mais como elementos de uma coreografia ou de uma liturgia profana e muito menos na qualidade de questões a serem de fato colocadas em primeiro plano. Não são elas que assomam à superfície mesma dos embates, nem parecem de fato existir sequer no seu fundo, que estes – os 'debates' – o mais das vezes não possuem. Tal o estatuto das causas civis, públicas, dos diferentes problemas de uma cidade, de uma comunidade, se situados no contexto das disputas partidárias, em que prevalecem as figuras d@s candidat@s e suas peripécias, gritarradas e gesticulações.
    Poderemos agora pensar – por fora disso ou como dimensão política possível e efetiva – a consistência do apartidarismo do Movimento Desocupa: ele justamente não busca nas figuras 'candidatais' aquilo em que mirar como de primeira importância, nem assim o faz quanto aos partidos ou coligações (é o que 'pensinto' no meio desse movermo-nos assim – e não se trata de pensamento ou sentimento vago). O que vejo é que para uma tal perspectiva apartidária o que assoma no horizonte são, isto sim, justamente aqueles problemas, aquelas questões que participativamente julgamos como prioritárias para a cidade, como necessidades (públicas, urbanas, cidadãs, humanas…), necessidades que permanecem dispostas entre o segundo e o quinto plano nas disputas partidárias, relegadas a uma invisibilidade que apenas devém dessa insistência em olhar botas e chapéus, dos coronéis de ontem aos grandes empresários de hoje, para não falar – e se falarmos não será por acaso – na aristocracia como o grupo social a que caberia, por direito, o poder de governar um povo.
    E a gente poderia tentar continuar nesse paralelo – entre o apartidarismo e a constituição de lideranças no Movimento Desocupa – dizendo que também estas se formam (ou isso tem começado a nos (a)parecer cada vez mais concretamente) a partir das questões que irrompem no nosso horizonte de necessidades. Assim foi, por exemplo – e continua a ser – no caso do Camarote Salvador (quartel avançado que é dessa força que a tudo tem buscado ocupar – de nossos espaços a nossos desejos: a ostensiva lógica do lucro). Não foi meramente o caso de alguém a apontar o alvo – embora alguém o possa ter feito (em geral se dá o caso de serem vários a fazê-lo quase que ao mesmo tempo). Foi, sim, que a questão se levantou no horizonte em seu gigantismo exemplar, solicitando a reunião e o empenho de muitos e não o braço e a forja de um Davi por quem esperar.
    Então, assim como o nosso apartidarismo põe em relevo não as figuras 'candidatais', mas um conjunto de causas, também a nossa liderança partilhada se desenvolve desde um elenco de valores (dentre os quais figura o próprio apartidarismo) e, à medida em que se busca atender àquele conjunto de causas, é a força do encontro entre cada uma delas e nossos desejos, sempre variáveis, o que reune alguns em torno de umas, outros tantos em favor de outras… num constante jogo que se arrisca entre a dispersão e o encontro, mas que não se quer arriscar às paralisias de uma estrutura que semelhasse o estado. É outra a politização em que o movimento se quer atuante.

  6. Ricardo : lendo seu comentario , observo que usaste o verbo = VI ; ou seja tu tens aparecido nos eventos do Desocupa , e mesmo assim nao entendeu o que o motiva ? nao entendeu como funciona ? nao sabe quem participa ou lidera ? e mesmo assim tu condenas o que nao entendes ? Acho que antes de mais nada , o problema nao estah no Desocupa , mas em voçe que tem dificuldade de entender que cidadaos de bem estao cansados de ver sua cidade ser espoliada , saqueada , roubada , com suas areas publicas invadidas e ocupadas ilegalmente sem grita alguma da populaçao( em sua grande maioria anestesiada pela velha politica do pao e circo que alienam o povao ). Se nao es um cidadao de bem , nao vai adiantar ficar teclando comentarios , pois vai continuar voando na maionese ! Que pena ! pois precisamos de mais soteropolitanos acordados , e atuantes para defender os interesses coletivos ( difusos ) , mas se voçe ainda estah alienado lamentamos muito .

  7. Oi Ricardo,

    O movimento se propõe horizontal, sem lideranças. Cada um define o seu nível de envolvimento de acordo com a sua disponibilidade e consciência, e contribui como pode.

    Todos os cidadãos preocupados em reconstruir a cidadania de Salvador através da sua população – ou seja, a partir do povo e não “para o povo” – está convidado a participar dos nossos fóruns, dos nossos eventos, sejam políticos, professores, estudantes, desempregados, bachareis ou cirurgião-dentistas, sejam eles farinha do mesmo saco ou de sacos diferentes.

    É uma experiência nova, sem um modelo estrito, que estamos construindo juntos. O que mais se faz é tentar rotular este movimento por fora. Convido-o a conhecê-lo por dentro, a porta está aberta.

    Trabalhamos sempre com custo mínimo. Cada um contribui como pode e como quer, mas os custos são sempre muito baixos.

    A discordância é parte integrante do movimento. Marcio, Waldir e outros têm participado ativamente dos nossos fóruns, onde você – e qualquer um – podem discutir as divergências de posições dentro do movimento sem hierarquia ou restrições.

    Ausente do movimento só a ingenuidade e a má-fé. Estes não estão conosco.

    Se envolva, faça a sua parte. fica o convite.

  8. Pingback: JORNALISTA ASSUME ERRO, MAS CONTINUA REPRODUZINDO EQUÍVOCOS | MOVIMENTO DESOCUPA

  9. Pingback: Jornalista assume erro, mas continua reproduzindo equívocos | MOVIMENTO DESOCUPA

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s