RESPOSTA DO MOVIMENTO DESOCUPA AO SUPERINTENDENTE DA SUCOM

Resposta do MOVIMENTO DESOCUPA ao Sr. Claudio Silva, em face às absurdas declarações dadas pelo Superintendente da SUCOM à imprensa baiana.

Sr. Claudio Silva,

Em primeiro lugar relatamos nossa surpresa diante da profunda falta de conhecimento sobre as formas de apropriação e uso do solo, em especial durante o Carnaval, de uma pessoa com tamanha responsabilidade como é o seu caso. O MOVIMENTO DESOCUPA, na condição de movimento da sociedade civil em defesa da cidade, vem procurando combater os maiores abusos e desrespeitos na questão da ocupação do espaço público na cidade, em especial pela iniciativa privada, sendo o Camarote Salvador o grande estandarte deste bloco de empreendimentos que se apropria de espaços que pertecem ao povo.

Sabemos todos que existem diversos outros camarotes cometendo infrações. O Camarote Expresso 2222, por exemplo, ocupa parte da rua transversal à Av. Oceânica que leva à agência do Banco do Brasil na Barra. Além dele, podemos citar o Planeta Band e o Axezeiros, que ocupam canteiros e parte de calçadas em Ondina, mas também quase todos os camarotes da Barra, cujas entradas estão na Rua Marquês de Leão e ocupam calçadas inteiras, obstruem parte da rua, entre outras ações irregulares, criando verdadeiras zonas de exceção contra o povo e a favor dos privilegiados que estão dentro dos camarotes.

Todos estes fatos que deveriam ser regulados pela SUCOM, e não por nós, cidadãos soteropolitanos indignados – e muito ocupados, diga-se de passagem (ao contrário do que afirma o desprefeito) com nossos afazeres, mas que, além de tudo, temos também que fiscalizar os órgãos que deveriam organizar a festa de forma respeitosa, priorizando  o cidadão que vai às ruas para brincar fora dos espaços de exclusão sócio-econômica que são os blocos de corda e camarotes.

Também nos assusta a tentativa torpe de tirar o foco do problema sobre o Camarote Salvador e desqualificar o MOVIMENTO DESOCUPA, acusando-nos de oportunistas. Não existe qualquer oportunismo em combater e denunciar o Camarote Salvador, o mais gritante de todos os absurdos cometidos antes, durante e após o carnaval, absurdo este erguido através de uma licitação fraudulenta, como já observado pela Defensoria Pública da União, sobre uma área pública e de livre acesso para todos, que foi ocupada pelo Camarote Salvador entre dezembro de 2011 e fevereiro de 2012, utilizando área e estrutura muitas vezes maior que qualquer um dos outros camarotes instalados na cidade.

Caso ali não existisse tal camarote, a Praça de Ondina estaria aberta à livre circulação de cidadãos, em especial no período de férias escolares, fazendo com que várias crianças e jovens não perdessem boa parte da sua área pública de lazer, assim como os diversos foliões perdem mais um espaço de livre convívio durante a folia momesca.

Dessa forma, o Camarote Salvador se configura como o exemplo mais gritante de apropriação indevida do espaço público e por isso ele é um dos focos do MOVIMENTO DESOCUPA, que é contra não somente este camarote, mas também todos aqueles que invadem áreas públicas que pertencem ao povo por direito constitucional.

Este movimento continuará combatendo tais ilegalidades, pois nos reconhecemos como cidadãos indignados e preocupados com a cidade em que vivemos e com os rumos de seu futuro incerto, devido justamente aos posicionamentos e ações equivocadas, quando não fraudulentas, da Prefeitura Municipal de Salvador e de boa parte dos vereadores que compõem a Câmara Municipal, assim como pela omissão do Governo do Estado e pela inoperância da Justiça Baiana.

O argumento da geração de empregos é outra forma de encobrir o real desejo de privatizar a festa. Considerar a geração de 2,3 mil empregos temporários, sem carteira assinada, com trabalhadores mal remunerados e mal tratados, como um grande feito da municipalidade é uma falácia sem precedentes. A Prefeitura e a SUCOM deveriam se esforçar para planejar uma cidade capaz de desenvolver empreendimentos próprios e duradouros, de maior valor agregado, procurando capacitar a população e promovendo educação, saúde, bem-estar e qualidade de vida.

Em tempo, esperamos que o Sr. Claudio Silva possa estar presente na próxima segunda-feira no Teatro Vila Velha, no debate que o MOVIMENTO DESOCUPA propõe sobre as alterações criminosas que foram feitas à LOUOS, para que possa compreender minimamente nossos questionamentos e, principalmente para que perceba que não nos calaremos diante de novas arbitrariedades da gestão municipal.

Salvador, 23 de fevereiro de 2012

MOVIMENTO DESOCUPA

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13 respostas em “RESPOSTA DO MOVIMENTO DESOCUPA AO SUPERINTENDENTE DA SUCOM

  1. O abandono de Salvador é tão gritante que não há argumento por parte desses gestores que consiga convencer quem quer que seja. O ápice dessa insanidade foi ver pela tv a alegria do nosso “prefeito”, deslumbrado com o paganismo do carnaval, algo muito estranho para quem construiu o seu discurso com base no evangelho. Independente de suas escolhas íntimas, esbanjar alegria para uma população que paga imposto sem o devido retorno é, no mínimo, uma afronta à nossa dignidade.

  2. Parabéns ao Movimento Desocupa. É vergonhosa a forma de apropriação e exploração do espaço público pelo privado. Moro na Rua Território do Ámapá – Pituba, desde 2009 estamos com um processo junto ao Ministério Público, pois sofremos com cosntantes alagamentos na época de chuvas. Alagamentos que nos impossibilitam de usufruir do direito de ir e vir. Acreditem… a Prefitura alega que não tem dinheiro para fazer a obra, tão necessária, de desobistrução da rede de microdrenagem da rua. O processo de arrastar desde 2009 e nós moradores e pagadores de impostos continuamos aqui apreensivos e aguardando as “águas de março”. SENTIMOS VERGONHA DESSA ADMINISTRAÇÃO!!

    • Realmente lamentável, tudo isto. Mas o pior vem por aí… eleições, e os mesmos sendo votados e eleitos.
      Não gosto da máxima que diz: O POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE, mas, parece que estaremos fadados a ver a repetição de tudo nos próximos anos. Infelizmente tem sido sempre assim.

  3. Acredito que o DESOCUPA tem que olhar para outros cenários do abandono da nossa Cidade…continuar a discutir os camarotes para que as ocupações dos espaços públicos não aconteçam no próximo ano, discutir a LOUS e o PDDU, mas precisamos dar visibilidade ao descaso com os bairros populares da grande Salvador…nosso povo, os soteropolitanos, representa uma história de luta e resistência através da religiosidade, da cultura e do sangue…
    O Quilombo do Rio dos Macacos está aí clamando por socorro…vamos dar repercussão nacional e internacional a este fato…e, talvez, abraçar mais esta causa, pois lutas fáceis não me trazem emoção….
    DESOCUPA SALVADOR! DESOCUPA BAHIA!

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  6. Parabéns! O DESOCUPA no futuro ampliará seu olhar, nesse momento o foco está certo, é seu primeiro passo. Mantenham-se afastados de políticos e afins, verdadeiros predadores da cidadania,

  7. Acho que deixamos o barco correr solto até chegar onde chegou. De há muito a nossa cidade vem gradativamente sendo depredada. Com o atual prefeito e seus gestores a coisa foi acelerada e hoje nos deparamos com uma degradação a essas alturas difícil ou impossível de conter, dada à complexidade. Se nos indignamos com a ocupação dos espaços públicos em benefício de meia duzia de investidores inescrupulosos, ficamos possessos quando caminhamos em áreas periféricas, subúrbio incluso. È qualquer coisa de assustar com a imensidão de favelas em todos os cantos, tomando as encostas e áreas de preservação ambiental, tanto do lado sul como do lado norte da cidade. Já não nos apraz sair a contemplar nossa cidade. Os bairros mais pobres então são umas lástimas de degradação ambiental e humana, onde as drogas e a violência campeiam. E esse tem sido um desafio que os nossos gestores fingem não ver e só olham para o que podem tirar proveito de áreas tidas como nobres, onde só a classe média transita. Salvador tornou-se uma cidade abandonada, feia e perigosa, com suas gigantescas comunidades periféricas. E acho que não tem mais como reverter esse quadro abismal. Sem exageros, são cracterísticas de quarto mundo. E imagine-se que hoje o Brasil lá fora vem sendo olhado como um país emergente, sexta economia do mundo. Quanta ironia, quanto coisa bruta, aqui pegando carona em composição do talentoso Chico Buarque. Pai, afasta de nós esse cálice!

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