ENTIDADES NEGRAS NEGAM APOIO AO CAMAROTE SALVADOR

Diferente do que informa nota publicada por veículos da imprensa baiana, associações como Fórum de Entidades Negras e Associação dos Afoxés, que defendem as entidades de matriz africana do carnaval baiano, negam ter assinado qualquer documento em favor do Camarote Salvador. A nota seria uma reação de entidades carnavalescas contra Ação Civil Pública ajuizada na Defensoria Pública da União da Bahia (DPU/BA), no último dia 10 de fevereiro, solicitando o embargo e a supressão da estrutura já montada do Camarote Salvador, que ocupa área da Praça de Ondina e foi denunciado pelo movimento #DesocupaSalvador.

Procurado pela equipe do Correio Nagô, o presidente do Fórum de Entidades Negras, Walmir França, se mostrou surpreso com a inclusão do nome da associação, que reúne onze entidades do Carnaval. “Não assinamos nada e nem autorizamos o uso do nosso nome nesta nota”. França informa que participou apenas de uma reunião no Othon Palace Hotel, segunda-feira, 13, para discutir os prejuízos causados pela greve da Polícia Militar na economia do Carnaval e não tratou do caso do Camarote Salvador. Entre as propostas apresentadas pelas entidades está a redução das taxas e impostos cobrados pelo Governo do Estado e Prefeitura aos blocos, camarotes, vendedores ambulantes e demais envolvidos na Folia.

Entre as entidades que teriam assinado a nota de apoio ao Camarote Salvador estão: a União de Entidades de Samba da Bahia (UNISAMBA), União dos Blocos de Percussão e a Federação das Entidades Carnavalescas e Culturais da Bahia. Em 2011, essas três entidades integraram um movimento formado por mais de cem organizações carnavalescas, exigindo contrapartida do faturamento gerado pelos seus desfiles frente aos camarotes e arquibancadas nos circuitos do carnaval.

A União dos Blocos de Samba da Bahia (UNISAMBA), por meio do seu presidente, José Luís Arerê, confirma o apoio ao Camarote Salvador: “Seria um desastre para o Carnaval de Salvador que um camarote como aquele fosse desmontado agora, próximo à festa, e depois de tantos prejuízos que já tivemos por conta da greve. No próximo ano, o camarote pode ser revisto, mas para esse ano não dá mais”, afirma. Apesar de alguns representantes de blocos, inclusive de samba, afirmarem ao Correio Nagô que a questão do Camarote Salvador não teria sido pautada nas reuniões realizadas no Othon, Arerê rebate. “Foi sim, e estavam todos os segmentos representados lá. Pode ter tido gente que não prestou atenção, chegou tarde ou saiu mais cedo, mas discutimos esse tema, sim”, confirma Arerê.

Enfático, o presidente da Associação de Afoxés, Nadinho do Congo, repudiou o uso indevido do nome da associação na nota de apoio ao Camarote Salvador. “Não assinamos. Pelo contrário, temos nos mobilizados contra esses camarotes, que além de reduzir o espaço público da festa, lucram com o espetáculo promovido pelos blocos, sem nada em troca”. Nadinho destacou à ação movida por mais de 120 entidades integradas pelos blocos de trio, afro, percussão, samba, índios, travestidos, afoxés e trios elétricos independentes, contra as empresas que exploram os camarotes e tiveram, em 2011, receitas entre 7 e 14 milhões, sem arcarem com qualquer custo com o planejamento e execução do carnaval de Salvador.

As entidades pediram na Justiça uma contraprestação dos lucros dos camarotes no valor de 30% ou que seja seguido, por analogia, o que determina a Lei Pelé (Lei 9615/98) no caso dos direitos desportivos, em que 20% dos lucros devem ser distribuídos aos atletas participantes do espetáculo ou evento. A ação judicial, é assinada pelo jurista baiano e professor de Direito, Augusto Aras, encontra-se na 20a Vara do Tribunal de Justiça da Bahia.

CLIQUE AQUI PARA LER ESTA NOTÍCIA NO SITE CORREIO NAGÔ.

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4 respostas em “ENTIDADES NEGRAS NEGAM APOIO AO CAMAROTE SALVADOR

  1. Pingback: Carta aberta de repúdio ao Fórum de Entidades Negras da Bahia | MOVIMENTO DESOCUPA

  2. Pingback: Desesperado com a possibilidade de ser embargado pela Justiça, Camarote Salvador usa mídia para propagar mentiras | MOVIMENTO DESOCUPA

  3. Olá companheiros,…… tema importantíssimo para ser colocado em pauta da
    III Conferência da Igualdade Racial.
    Ref: CAIXA ECONOMICA FEDERAL – PROGRAMA HABITACIONAL

    Vamos REINVIDICAR contra uma grande injustiça que está sendo cometida por esta instituição financeira governamental que foi criada para atender o povo e, portanto não deveria seguir à risca A MESMA CARTILHA DOS BANCOS PRIVADOS.

    Trata-se dos casos de clientes que tomam empréstimos junto a ela e que, por motivos comprovadamente justificáveis através de provas cabais, robustas e consistentes, deixam de dar continuidade aos pagamentos das parcelas, tornando-se inadimplentes.

    Estes ficam impedidos de obter o crédito para a compra do material de construção, mesmo tendo conseguido um pedacinho de terra, ás vezes cedido por um parente próximo.

    – Quando ele se dirige a agencia da Caixa para negociar a dívida, convocado ou por iniciativa própria, o sistema da instituição determina as regras para o acordo, o que então passa a ser imposição. Sem contar a desinformação reinante, pois cada vez que se fala com um ou outro gerente (ou com o mesmo), eles não têm segurança para dizer quais as possibilidades que o cliente terá no após negociação, ou seja, o que agente pergunta, pode ser que sim ou pode ser que não, uma vez que ‘’” QUEM MANDA É O SISTEMA””” que é volúvel e temperamental pro nosso gosto. Ou então, distribuem aquelas cartilhas e folhetos que nem intelectual tecnocrata sabe interpretar.

    Entende-se que, se o cidadão está pretendendo ter sua moradia própria, é porque está pagando aluguel, estando obviamente dentro de um círculo vicioso, do qual não pode sair, a saber:
    – Na maioria das vezes, o devedor não tem margem em seu salário, para assumir uma dessas opções oferecidas (pelo sistema).
    – Mesmo assim, caso se proponha a pagar o valor mínimo determinado, continua com as portas fechadas para novos créditos, inclusive depois das parcelas do acordo pagas, ou seja, porque pagou o mínimo e não o valor total corrigido (a bola de neve).
    – Ainda que ele se comprometa a pagar a bola de neve, só vai poder obter outro crédito ao final de tudo liquidado, provavelmente depois de uns três anos, no mínimo.

    Ora, se ele tiver dinheiro para mensalmente empregar no pagamento das parcelas desta dívida, é lógico que vai preferir ficar comprando o material de construção, mês a mês e à vista, na lojinha do bairro, deixando a Caixa de lado.

    • Reitere-se, por não ter casa própria, obviamente está pagando aluguel e, portanto não está podendo pagar sua dívida.

    – O ideal seria a Caixa outorgar-lhe o crédito para a compra do material, acumulando as duas dívidas, de forma que assim que ele entrar na casa, livre do aluguel possa pagar as parcelas juntas, inclusive a dívida corrigida. Seria mais interessante até para a instituição.

    • Entenda-se que “pobre que não esta inadimplente está com sorte para o momento “.
    Inadimplência de pobre nada tem a ver com falta de caráter, com desmandos financeiros domésticos, com incapacidade familiar de gerenciar valores.

    É frustrante ver as Globalinas Camila Pitanga e Regina Casé, na propaganda da Caixa, com aqueles sorrisos luminosos, enquanto nós aqui, do outro lado da tela, negros e caboclos como elas, porém na base da pirâmide social, ficamos sem poder usufruir.

    NÃO SE ESTÁ PRETENDENDO HABITAÇÃO NO PADRÃO FIFA, mas sim uma casinha pra se chamar de minha.

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