Grande passeata ocupa ruas do Centro de Salvador

Foto Eurípedes Fraga

Cerca de 2 mil pessoas participaram da passeata entre o Campo Grande e a praça municipal promovida hoje (1) à tarde pelo Movimento Desocupa. Sindicalistas, profissionais de diversas áreas, lideranças comunitárias, artistas, militantes de vários movimentos,  estudantes – e uma representação da comunidade quilombola de rio do Macaco – portando faixas e cartazes levaram às ruas o grito de indignação dos soteropolitanos contra a crítica situação atual da cidade.

Gritando palavras de ordem e falando nos microfones dos carros de som, os ativistas fizeram protestos sobre várias questões, dentre elas a revogação imediata da Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo (Louos), aprovada pela Câmara Municipal e sancionada no começo de janeiro por João, apesar de flagrantemente inconstitucional.

Organizada através das redes sociais, a passeata é o terceiro evento de rua promovido pelo Movimento Desocupa nos últimos quinze dias. O movimento foi deflagrado em favor da desocupação da praça de Ondina pelo Camarote Salvador; e está galvanizando a indignação de amplas parcelas da cidade que não aceitam a privatização incessante do território e de outros bens públicos de Salvador.

A passeata contou com a presença de dois carros de som, fornecidos pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e pelo Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Água e Esgotos (Sindae-Bahia). Os carros de som conduziram a caminhada até a praça Castro Alves, onde alguns policiais tentaram impedir, sem êxito, a entrada dos veículos na praça. Apesar de terem conseguido superar este obstáculo, os carros não chegaram até a praça Municipal. Na praça, os manifestantes sentaram no chão e, com o uso de megafones, fizeram uma roda de debates e reflexões.

Foto de Camila Passos

Um dos alvos da manifestação, o prefeito João Henrique, contumaz fujão, inventou uma viagem de última hora para o Rio de Janeiro e sequer participou da leitura da mensagem na Câmara Municipal, como é de praxe. Em seu lugar esteve na Câmara o vice-prefeito Edvaldo Brito.

Comunidade Quilombola Rio dos Macacos

Um dos movimentos sociais presentes à passeata foi a comunidade quilombola Rio dos Macacos. De acordo com a trabalhadora rural Rosemeire Silva, a manifestação desta quarta tem os mesmos interesses dos moradores da comunidade quilombola. “A nossa luta é uma só”, relatou Rosemeire.

Ela explicou que a comunidade vive em clima de muita tensão, e que está ameaçada por uma ordem judicial de despejo, marcada para o próximo dia 4 de março. “Nós não somos invasores, a nossa comunidade vive na região há cerca de 200 anos”, protesta. A área é disputada pela Marinha, que tem um condomínio residencial na vizinhança da área dos agricultores.

Rosemary disse ainda que, por causa do conflito com a Marinha, os moradores estão sendo vítimas de diversas ações. “Eles [a Marinha] estão maltratando crianças e idosos, principalmente. Tem gente com mais de 100 anos sendo maltratado”, denuncia.

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3 respostas em “Grande passeata ocupa ruas do Centro de Salvador

  1. Muito boa a matéria, principalmente pelo destaque conferido à participação dos quilombolas. É preciso aprofundar essa relação e estendê-la aos movimentos de sem-teto em Salvador

  2. Precisamos mover também reflexões em relação aos rios de Salvador, estão sendo enterrados vivos. Apesar de doentes e esquecidos… são as águas doces que abundantemente deveriam chegar ao mar.
    As dunas de Stella Mares, já estão no alvo do oportunismo.
    500 árvores assassinadas!!!

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