2 respostas em “reflexões

  1. Fiquei decepcionado com o movimento. Prega melhorar a cidade e só faz piorar, engarrafa as ruas, suja as ruas e praças, desrespeita a polícia, faz política partidaria (vereadores incompetentes de oposição). Agora percebo que no fundo é pura política e logo irão aparecer os candidatos. Não vou mais e não chamo mais nenhum amigo.

    • Pelo que me consta a retomada se dará num contexto em que eles já desocuparam e a utilizaram, conforme os seus interesses, depois de terem feito o que bem queriam. Certo que o movimento e a imediaticidade da ação ocorrida não acumulou forças suficientes para embargar e impedi-los de se apropriarem anteriormente. Contudo, isso não invalida os atos simbólicos, como parece representar esse, para o qual agora se convoca. 

      Penso que o mais salutar, entre tantos desafios, é seguir acumulando, ampliando o movimento. Continuar com  as manifestações diante do prefeitura e da câmara municipal, numa perspectiva-objetivo de ir fazendo-nos mais e mais; o que significa ampliar o movimento para além de uma classe de artistas, intelectuais, e classe média. Poder, quem sabe, incluir, convocar e se relacionar com outros movimentos e pessoas para estabelecer um contra-poder e um caráter, de fato, comunitário às demandas. 

      Óbvio que isso não é simples nem possível em dias ou poucos meses, sobretudo numa ambiente desagregado, deseducado, despolitizado, pleno de retórica, e narcisíco como o nosso. Reconhecer o limite e a necessidade de rebelar-se é a condição para construir uma  resposta possível, necessária. Muito além de um entusiasmo momentaneo teremos que assumir a  responsabilidade. Saber que o tempo é algo maior do que os nossos objetivos. Para estabelecer uma pauta comum e mais ampla do que uma praça em Ondina, já desocupada pois utilizada,  não haverá outra forma se não a paciência, determinação e contatos. Tecer uma colcha de retalhos maior, com textura e cheiro, que não  o feicibuqui. Irmos atrás um dos outros. Identificar outros que somos nós, também.  Em suma, há uma idéia e ação  que pode se efetivar através da construção de uma Assembléia Popular, uma instância que reuna o desocupa, outros tantos movimentos, não representação partidária nem intenção eleitoral. Acampemos diante da câmera e comecemos nós a legislar…antes porém façamos o trabalho de formiga…como? Por ora não há saída senão a imaginação para reinventar uma prática política.

      Bater pé. Concluir que Salvador é um caos acumulado e que um prefeito é consequência de um tempo, de uma cumplicidade, da passividade coletiva, de uma paralisia e anulação do sentido de  comunidade. E, se tratando específicamente de um segmento de conscientes/cidadãos artistas, profissionais liberais,descolados,trabalhadores; no melhor dos casos, um prefeito, um governador, uma poder, vereadores, deputados, todos esses mandam e governam, resultam do poder que nós atribuimos. Urge,com a paciência e decisão recomeçar, para de delegar e se queixar.
       
      O disfarce que escamoteia a mediocridade e o desastre que especificamente é essa cidade e essa cultura predominante se nutre da soma das indiferenças e das  retóricas. Pois, pelo discurso ninguém se diferencia. provavelmente o próprio prefeito, vereadores e governado, cúmplices, concordarão que a cidade é um caos e que há muito faliu, tal qual a nossa sociedade do crediário que estar a confundir emancipação social e popular com consumo.

      Afinal, pensando numa manifestação específica na praça de ondina,  sem aqueles que imediatamente foram afetados pela usurpação temporária da praça, os moradores do morro de São lázaro, de parcela de moradores de Ondina, e de muitos outros que nos fins de semana desfrutam daquela praia, resulta estranho, causando em nós, mesmos – manifestantes,  a percepção do paradoxo, de algo estranho, quando olhando para o parceiro/companheiro ao lado, será improvável identificar um outro que seja do bairro,  os locais  que devem  também respaldar e se particiopar. Nós/ o Desocupa pode ser, deve ser vanguarda? Claro, mas que fim terá  uma vanguarda se deslocada e não relacionada… A história já respondeu. 

      Provavelmente haverá um equívoco ao pensar que cabe ao Mov. Desocupa tal função e capacidade. Já vale fazer aquilo que estar dentro das possibilidades.

      A propósito, a cidade esse todo caótico, amplo, para além dos 5 km de leste a  oeste,  convenhamos, não tem na praça de Ondina a  sua questão imediata e fundamental.  Por isso talvez não seja injusto nem equivocada tal reflexão se entrarmos  no mérito de onde centrar os esforços e definir O que fazer.(?) 

      Uma cidade cujo centro é degradação e fedor, sem calçadas, com homens e mulheres dejetos circulando vagando? Prédios históricos em ruínas total, as casa de papelão sobre todas as ruas e latitudes. O que significa toda nossa decadência e indiferença diante de um lugar que com ou sem greve de polícia a cada fim de semana   20, 25, 30 são mortos matados? Como reclamar ou fazer da praça de Ondina a nossa pauta diante disso?  Ondina no meio disso, mas por favor concentremos esforços e imaginAções para não seguir tergiversando diante do encanto e do imperativo de lutar, de re-existir.

      A  figura  de um governador medíocre ( salvo pela globo, pela mídia) que diante da greve da polícia, na iminência do carnaval ameaçado por quem era a ordem e  lei, e logo  bandidos; esse governador  que apóia J.Henrique  teve o cinismo de numa entrevista ao Portal Terra dizer que desconhece o projeto do prefeito de desapropriação da Baía de Itapajipe (???). Na mesma linha o presidente estadual do PT disse que o que interessa de fato é apenas a COPA. 

      Pensemos em  manifestações constantes, semanais, ou a ocupação permanente da Praça Municipal, com demandas que transcendam e incluam também a pitoresca praça de Ondina. A praia de Ondina, agora revelada, ficaria para o Ministério Publico cuidar, impedindo, sob o respaldo das ruas que  o próximo carnaval, não só lá mas parte do centro e orla sejam privatizados; obrigando sob demanda popular que a máfia do dendê e blocos paguem impostos!  

      E nós, podendo e devendo ser mais  e mais, somaremos para exigir uma praça de Ondina em cada bairro apertado, sujo e violento de Salvador. Um conservatório de música e um complexo esportivo na Suburbana, em Coutos no Bairro da Paz. limite na venda de veículos na cidade; urgencia na solução do problema do transporte coletivo; INSTALAÇAO  DE UMA INVESTIGAÇAO para apurar o desvio e gastos na obra do metrô;  apurar o lobby  a a corrupção patrocinada pelas construturas; obrigatoriedade para que  o prefeito ande de onibus,  para que o governador pare de andar de helicóptero e viva o transito de Salvador.
       
      Que façamos algo contra a indiferença e a naturalização da miséria e  da corrupção. Sem mais os nós outros dejetos humanos nas ruas de Salvador. E por aí vai.

      Façamos da  praça de Ondina um dos lugares para reuniões do mov desocupa com outros movimentos e pessoas. Revezemos entre a praça de ondina,  o Curuzú,  a Plataforma.  Ou é que  esses dois lugares são muito distantes? Para quem? Se a periferia é o centro.

      São infinitas as demandas tanto quanto infinitas as possibilidades se deixarmos de lado a  retórica e alcançarmos e  ocuparmos as ruas e outras praças.

      Rogério Ferrari

       

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